27 de ago de 2011

Um Chapéu Azul


      Eu tinha um chapéu de lã azul. Ele era lindo, e eu adorava usá-lo, mesmo que o dia não estivesse tão frio. Havia uma também uma manta, da mesma cor que o chapéu. Assim eles formavam um conjunto muito belo. Agora eu não os uso mais. Tudo bem, pensei outro dia, enquanto sentia o vento cortante da manhã de um dia de 6 graus, não teria como eu continuar usando aquele chapéu, provavelmente ele não me serviria mais. E isso parece normal, não parece? Afinal, a gente cresce. Claro que é normal.
      Porém quando me dei conta disso, senti uma certa melancolia, como se lembrar do fato de que eu cresci me provocasse dor. Então comecei a listar mentalmente todas as coisas que eu já não faço mais. Subia nas árvores, brincava de esconde-esconde, olhava o sol se pôr, plantava girassóis. Aliás, plantar girassóis foi algo que me trouxe tanta alegria que eu não gosto nem de pensar que não faço mais isso. E não gosto de pensar provavelmente porque sei que estou mentindo pra mim mesma quando digo que tudo está bem assim, que as coisas simples não são o que tornam a vida mais encantadora.
      Foi a minha mãe quem tricotou aquele chapéu para mim. Ela sempre soube quais eram as coisas que poderiam realizar uma pessoa. Tenho orgulho em saber que ela me ensinou isso, porém, vergonha ao pensar que o meu egoísmo e busca por coisas supérfluas fizeram-me esquecer.  Afinal, não são as posses e o dinheiro que tornam uma pessoa feliz. Porque "a vida é bela; a alma é vasta; ter é tardar" (Fernando Pessoa)

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