28 de out de 2011

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Não te quero senão porque te quero, 
e de querer-te a não te querer chego, 
e de esperar-te quando não te espero, 
passa meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante, 
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro, 
seu raio cruel meu coração inteiro, 
roubando-me a chave do sossego, 
nesta história só eu me morro, 
e morrerei de amor porque te quero, 
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
[Pablo Neruda] 
 

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