30 de out de 2012

endymion (trecho)



O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.

[John Keats]

Um comentário:

  1. Oi, Manu, bom dia!!
    Keats é um dos meus poetas preferidos. Essa sempre bucólica, veraz, serena, romântica e poética visão das coisas e principalmente da vida fazem dele um mestre a ser seguido (o que será mais nobre), quando não, por força da admiração e ao menos de longe, imitado.
    O trecho é lindo, profundo, para uma leitura sem pressa e sem outro compromisso... Então, aqui fiquei eu, lendo e relendo... E ganhei um tempo enorme!
    Um beijo carinhoso
    Doces sonhos
    Lello

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