14 de nov de 2012

Do desejo

II 
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade. 
[Hilda Hilst]

2 comentários:

  1. Oi, Manu, bom dia!!
    Há em Hilda muitas vezes essa digressão essencial ao romantismo, essa dualidade não necessariamente contraditória, contraposta. Esse breve trecho nos mostra esse desejo que é carne e é coração, é volúpia, mas é medo, é cordura mas é crueldade, é fulgor mas é tornar-se escura...
    Belíssimo trecho!
    Um beijo carinhoso
    Doces sonhos
    Lello

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  2. Manu, peço sua permissão para meu primeiro comentário: o poema de Hilda Hilst é intenso, forte, vívido... Um amor ardente e até mesmo desesperado. O tipo de amor que deixa marcas para a vida inteira. Parabéns pelo blog. Obrigado pela oportunidade.

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sorriso